O ROCK esta morto?

Sim, existe uma meia verdade nesta frase. Há anos o rock não está em evidência. O desaparecimento dos rockeiros – que já vimos aos baldes andando pelas ruas da cidade – realmente dá a impressão que o Rock morreu. Mas afinal, o que aconteceu?

Em um delicado momento em que a sociedade brasileira se divide em diferentes grupos políticos, morais, raciais, geográficos, gêneros e outros mais, destacam-se os estilos musicais que unem todos (ou boa parte) em um só tipo de entretenimento. É o caso do sertanejo universitário, que reúne diferentes gerações em volta de uma ideia de festa e relacionamentos amorosos, algo que toda a sociedade brasileira tem em comum. Também é o caso o funk carioca, que reúne uma grande parcela da sociedade, principalmente a galera da periferia, em torno de uma ideia de “ter e ostentar” e também de muita conotação sexual. Coisas que atraem os jovens.

Estes jovens já foram públicos participantes do rock´ n roll nas décadas de 70, 80 e 90. Quem nunca escutou a máxima “sexo, drogas e rock´ n roll”. Logo te leva a uma ideia (às vezes até ruim) de festa, sexo, ostentação e seus derivados.

O rock tem uma grande desvantagem: seu idioma. Normalmente as músicas são feita em inglês, o que dificulta a transmissão da mensagem passada, seja ela qual for. O próprio rockeiro tem grande aversão ao rock em português, talvez pelo fato de que, realmente, seja extremamente difícil fazer algo bom em nosso idioma – um dos mais difíceis do mundo. Repare: você não escuta samba em japonês, nem sertanejo raíz em inglês. Aceitamos ou não, o idioma “oficial” do rock é o inglês.

Dei toda esta volta para ter uma linha de raciocínio minimamente compreensível para entender uma coisa: o rock carece de novos rockeiros.

– Hã? Tá! Explique o que tem a ver tudo isso?

A geração que nasceu – mais ou menos – de 95 pra frente não tem o mínimo interesse em consumir algo difícil de entender. Talvez a facilidade tecnológica a qual eles convivem, não permite uma apreciação ideal da música em si. É uma enxurrada de informações – muitas delas totalmente desnecessárias, a favor de um “emburrecimento” em massa – a todos os momentos que a percepção para a música talvez tenha sido colocada de lado. O avanço tecnológico também tirou uma boa parte da ideia do valor implícito num material físico, como a capa de um disco, por exemplo. Isso ficou pra trás com a era digital e, os que ainda têm, não são apreciados devidamente.

Ainda falando das dificuldades do estilo Rock´n Roll – não só falando das músicas em inglês, mas também, ideologicamente falando – os poucos adolescentes que entram na cena, normalmente tentam impor aos mais velhos estereótipos do mundo atual, suas crenças e suas próprias causas, o que faz a velha guarda abominar essa geração. Quem nunca escutou a frase “…esses moleques do caralho. Na minha época…”? É exatamente esse tipo de conflito que distancia os poucos que tentam entrar, e que afasta muitos dos que já estão.

Em décadas em que punks, metalheads, motoclubes e até skinheads dividiram o mesmo estilo de música – mas cada um na sua vertente – hoje algumas pessoas não aceitam posicionamentos políticos e religiosos divergentes dividindo o mesmo estilo musical.

Acontece que esse tipo de situação é impossível de controlar. Se não era fácil nos anos 90 em que a população brasileira era por volta de 155 milhões, imagina hoje que somos quase 200 milhões, cheios de acesso a informações de todos os tipos – gráficos, dados, histórias e mais – e ainda cada brasileiro tem um tipo de pensamento.

Passando para um outro tópico do assunto, o rock não soube (e ainda não sabe) se comunicar com essa geração de 95 pra frente e, infelizmente, toda a ideia de diversão e ostentação, todo o entretenimento – e até algumas ideias de liberdade – ficaram a cargo de outros estilos. Estilos como sertanejo universitário e funk carioca que não carregam qualquer ideologia – e quando carregam percebe-se que é algo extremamente comercial e logo caem no esquecimento. Porém eles carregam os valores banais do entretenimento, que é a válvula de escape que todos, enquanto jovens, buscam pra se divertir.

A rock vai voltar a crescer. Tudo é cíclico e ele voltará ao topo, mas até lá, depende dos rockeiros da velha guarda manterem isso aceso.

O grande desafio é fazer eles saírem de casa e frequentarem um show de rock independente, afinal, essa é a verdadeira cena do rock n roll.

Shows em estádios estão e sempre estarão lotados – ali é onde se reúne todas as gerações do rock das diversas vertentes que ele possui – , mas fazer público para aquela pequena banda de bairro torna-se um desafio imenso para a geração mais velha, uma vez que o cara não tem qualquer atrativo ou “recompensa” para sair de casa.

Sejamos sinceros: sair de casa a noite, não ter onde estacionar, entrar num bar sujo torcendo para que pelo menos a cerveja esteja gelada, já que o banheiro não vai estar limpo mesmo. Sabe-se que a acústica do local é horrível e que não tem um equipamento adequado para um bom som. Uma banda mal ensaiada tocando músicas que você nem conhece. Você realmente sairia de casa? E se for casado, levaria sua esposa ou marido? Bom, esse que vos escreve sairia de casa e iria com o maior prazer, mas eu sou uma pequena exceção à regra e entendo todo o contexto. Realmente são questões centrais que fazem o rockeiro mais velho sair somente para pubs e hamburguerias, fazendo a cena local – aquele show independente que ele frequentava anos atrás – ficar vazio.

A cena “podreira” que eu citei é tradicionalmente frequentada pelos mais novos. A molecada de 18, 21, 23, que sai na noite sem nada a perder. Sem medo de ser feliz e de se expressar.  A ausência deste público desanima as bandas que não tocam pra ninguém. Desanima o dono do bar que não tem pra quem vender. Desanima o promotor de shows que não vende ingresso. Desanima o público que ainda existe, por ver sua cena minguar, o que o leva a sempre reclamar, desinteressando possíveis rockeiros que poderiam frequentar a cena um dia.

Pois é, então juntamos a falha de comunicação com a pluralidade ideológica, o excesso de informações desnecessárias e o desanimo da galera, e temos uma barreira gigantesca dentro do rock.

Isso passa a ideia de que o rock está morto. Mas quem frequenta a cena, sabe que não está.

A principal bandeira do rock é a liberdade – de se expressar, de viver, de conviver, de amar, de unir e até de separar – e só ela pode acordar novamente esse grande estilo de vida chamado “Rock n’ Roll”.

Este texto representa a ideia do autor.


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